Download PDF Projeto AleijadinhoPrimeira Fase

A pintura é a última das aplicações ornamentais e por vezes reflete a tradição das pinturas ilusionistas Pintura em que os objetos ou figuras adquirem, por efeito de perspectiva, a ilusão de ser reais ou palpáveis. (Ataíde na São Francisco de Ouro Preto) , caso de Caetano Costa Coelho na Igreja da Ordem Terceira no Rio de Janeiro, que se disseminou por Minas Gerais.

Antes porém, chamada de primeira fase – 1720 a 1755 – as pinturas foram executadas dentro de molduras, ditas de caixotões, nos forros e paredes a exemplo das matrizes de Tiradentes, Sabará e do Pilar de Ouro Preto e forro da sacristia do distrito de Cachoeira do Campo. Distinguem desta fase as pinturas de chinesises da capela do Ó de Sabará. Tais pinturas executadas com tintas o processo de pintura nas construções religiosas e civis do período colonial valia-se geralmente de materiais locais. Para a pintura de peças de madeira, portas, entre outros, à resina corante eram adicionados óleo de linhaça ou mamona e cola de couro. Os corantes tinham, comumente, origem vegetal, predominando, conforme as tonalidades pretendidas, o anil, o açafrão, a cochonilha, o ipê-mulato, o urucum etc... (Foram utilizadas por mestre Ataíde para as esculturas dos Passos da Paixão) escuras, se relacionam apenas como iconografia ou tema sendo cada qual executada independente.

Segunda Fase

A segunda fase, a partir de 1755 é chamada de pintura em perspectiva ou ilusionista seguindo exemplos das igrejas baianas e do Rio de Janeiro como de Caetano da Costa Coelho. Caracteriza-se pelo uso de ponto de fuga para desenhar estruturas arquitetônicas, acima da cimalha, ao longo dos forros tabuados lisos das naves Parte interna da igreja desde a entrada até a capela-mor; denomina-se nave central quando esse espaço é subdividido por pilares, colunas ou arcos e capelas mores. Por detrás destes desenhos que ensejam ampliar a arquitetura real, são dispostos as figuras de meio corpo, em geral dos doutores das igrejas, santos das irmandades e anjos. No centro da pintura, chamado de visão, fica a invocação principal em geral de Nossa Senhora. Para efeito de estudos este período é dividido em outros três sendo o primeiro partido organização geral de uma edificação, forma de distribuição e articulação dos espaços, de modo que se pode identificar um estilo. (Aleijadinho utilizou o partido curvelíneo em especial na igreja franciscana de São João Del Rey). A, desenvolvido em Diamantina a exemplo de José Soares de Araújo na Igreja Terceira Carmelita (1758) de Diamantina, com pintura em quadratura também denominada trompe l’oeil. A Igreja de Nossa Senhora do Carmo em Diamantina possui um dos mais belos tetos de pintura em perspectiva em Minas Gerais, de autoria do guarda-mor José Soares de Araújo, português natural da cidade de Braga. Seus forros são pintados em perspectiva ilusionista de nível inigualável, completando a magnífica decoração interna do templo, acentuando o douramentos processo de revestimento de ouro em peças ornamentais, retábulos, imaginárias etc. (Em geral o mestre Ataíde dourava as obras de Aleijadinho, a exemplo do lavabo do Carmo de Ouro Preto) dos retábulos estrutura ornamental de pedra ou talha de madeira que se eleva na parte posterior do altar; genericamente obedece à seguinte classificação: jesuítico ou maneirista (início do século XVII); nacional português (1680-1720); joanino (1720-1760); rococó (1760-1816); e neoclássico. (século XIX) (Seu mais importante retábulo mor está na igreja de São Francisco de Ouro Preto; desenhos os de São João del Rey e do Carmo de Sabará) e das imagens. Devido à abundância de detalhes, a obra ganha características da ourivesaria, reforçada pela predominância da tonalidade cinza com realces de ouro por toda a composição. A pintura central da capela-mor contém a representação figurativa da Virgem entregando escapulários faixa de pano que frades e freiras de certas ordens religiosas trazem pendente ao peito. (Esculpidos com a Virgem do Carmo em Sabará e Ouro Preto) a São Simão Stock. A visão central da nave narra o episódio do arrebatamento e subida ao céu do profeta Elias num carro de fogo, no momento em que deixa cair o manto a Eliseu, segundo a iconografia carmelita.

Na região de Ouro Preto, no grande forro curvo, os pintores fizeram parapeitos acima da cimalha com pinturas livres do conceito de continuidade arquitetônica como na capela do Padre Faria em Ouro Preto e na matriz de Cachoeira do Campo, obra de Antônio Rodrigues Belo.

O terceiro partido, tem composições mais livres e colorações mais claras como as pinturas de mestre Ataíde. Com uma arquitetura mais fantasiosa os anjo elemento ornamental dos mais presentes em retábulos e arcos-cruzeiros. Os mais pequenos são os querubins ou serafins, os arcanjos são os maiores, como adolescentes ou adultos jovens. (Nas portadas e coroamentos dos altares de praticamente todas as igrejas que Aleijadinho fez) e santos continuam por detrás das tribunas pintadas assim como os doutores da Igreja e, sob arcos de triunfo, anjos e santos. Mestre Ataíde, a partir de 1800, estruturou a pintura fingida sobre possantes colunas nascidas logo acima da cimalha, intercalando arcos de triunfo com formas fantasiosas que sustentam rocalhas esgarçadas emoldurando as visões. As tonalidades mais empregadas são o rosa e o azul como em sua obra máxima da Igreja de São Francisco em Ouro Preto (1802-5). No centro, a visão imitando o encontro dos santos nos céus é sempre ladeada por anjinhos mulatos formando um coral ou orquestra, como se vê nas matrizes de Itaverava e Santa Bárbara. Toda obra do mestre foi realizada nos primeiros trinta anos do século XIX. Mestre Ataíde – encarnou – pintou trinta e seis das esculturas dos Passos pequena capela que abriga esculturas ou pinturas representando cenas da Paixão de Cristo (Capelas dos Passos da Paixão em Congonhas com as 64 esculturas) da Paixão de Aleijadinho em Congonhas e pintou a obra monumental do forro da igreja de são Francisco de Ouro Preto além de dourar o retábulo mor e pintar os barrados imitando  azulejos ladrilho de louça vidrado na face aparente usado para revestimento, impermeabilização e decoração de paredes. (imitação por meio de pinturas de Ataíde na igreja franciscana de Ouro Preto; do século 19, no Carmo de Ouro Preto) na mesma igreja.

O partido organização geral de uma edificação, forma de distribuição e articulação dos espaços, de modo que se pode identificar um estilo. (Aleijadinho utilizou o partido curvelíneo em especial na igreja franciscana de São João Del Rey). C, executado no mesmo período de mestre Ataíde, tem representantes de alto quilate como Joaquim Gonçalves da Rocha (forro do Carmo de Sabará); Silvestre de Almeida Lopes, na região de Diamantina, com belíssimas molduras rococó estilo ornamental surgido na França durante o reinado de Luís XV (1710-1774) e caracterizado pelo uso de curvas caprichosas e formas assimétricas e pela delicadeza dos elementos decorativos, como conchas estilizadas (rocailles), laços, flores, folhagens, que tendiam a uma elegância requintada; no Brasil perdura até o neoclassicismo (1816) circundando as visões. O santuário de Congonhas tem um programa pictórico dentro da igreja com pinturas parietais e nos forros da nave e capela-mor capela principal, onde fica o altar-mor de uma igreja (ver santuário Congonhas)

O programa pictórico das igrejas incluía ainda barrados na capela-mor imitando azulejos, como na dos terceiros franciscanos de Ouro Preto (mestre Ataíde), e nas matrizes de Itaverava, Santa Bárbara (ambas de Ataíde) e São João del Rei e o mais antigo em Sabará. Naquela região montanhosa, apenas a igreja dos terceiros carmelitas ouro-pretanos recebeu azulejos, já que as outras igrejas possuíam apenas imitações pintadas.

Download PDF  VILA, Affonso e outros. Barroco mineiro.
Glossário de arquitetura e ornamentação. Belo Horizonte : Fund. Roberto Marinho e Fund. João Pinheiro, 1979.


 

BAZIN, Germain.
Aleijadinho e a Escultura. Rio de Janeiro: Record, 1971.


 

OLIVEIRA, Myriam Andrade Ribeiro.
O rococó religioso no Brasil e seus antecedentes. São Paulo : Cosac & Naify, 2003.


 

SMITH, Robert.
A talha em Portugal. Lisboa: Livros Horizonte, 1963.
Congonhas do Campo. Rio de Janeiro: AGIR, 1973,


 

TIRAPELI, Percival.
Igrejas barrocas do Brasil. Baroque Churches of Brazil. São Paulo: Metalivros, 2008.

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Antônio Francisco Lisboa, Aleijadinho (1730-38 – 1814). Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, Ouro Preto. (MG). Planta ; 1766; púlpitos : 1772; altar mor: 1790 -94; portada da fachada : 1775.

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Antônio Francisco Lisboa, Aleijadinho (1730-38 – 1814). Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, Ouro Preto. (MG). Planta ; 1766; púlpitos : 1772; altar mor: 1790 -94; portada da fachada : 1775.

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Antônio Francisco Lisboa, Aleijadinho (1730-38 – 1814). Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, Ouro Preto. (MG). Planta ; 1766; púlpitos : 1772; altar mor: 1790 -94; portada da fachada : 1775.

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Antônio Francisco Lisboa, Aleijadinho (1730-38 – 1814). Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, Ouro Preto. (MG). Planta ; 1766; púlpitos : 1772; altar mor: 1790 -94; portada da fachada : 1775.

 

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Antonio Francisco Lisboa. Igreja São João Del Rei. (MG). Planta 1774; portada da fachada – 1795-96. Tiago Moreira (primeira planta, 1763);

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Antonio Francisco Lisboa. Igreja São João Del Rei. (MG). Planta 1774; portada da fachada – 1795-96. Tiago Moreira (primeira planta, 1763);

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Antonio Francisco Lisboa. Igreja São João Del Rei. (MG). Planta 1774; portada da fachada – 1795-96. Tiago Moreira (primeira planta, 1763);

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Antonio Francisco Lisboa (fachada, 1770; interior, 1779-83). Igreja Nossa Senhora do Carmo. Sabará (MG).

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Antonio Francisco Lisboa (fachada, 1770; interior, 1779-83). Igreja Nossa Senhora do Carmo. Sabará (MG).

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Antonio Francisco Lisboa (fachada, 1770; interior, 1779-83). Igreja Nossa Senhora do Carmo. Sabará (MG).

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Antonio Francisco Lisboa (fachada, 1770; interior, 1779-83). Igreja Nossa Senhora do Carmo. Sabará (MG).

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Antonio Franscico Lisboa. Atlante. Madeira policromada. C. 1780. Coro da igreja da Ordem Terceira do Carmo, Sabará (MG).

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Antônio Francisco Lisboa, Aleijadinho (1730-38 -1814). Cartela (placa) comemorativa dos momentos fundamentais da construção do santuário. Entrada da escadaria dos profetas. Pedra sabão. Santuário de Congonhas (MG).

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Antônio Francisco Lisboa, Aleijadinho (1730-38 -1814). Cartela (placa) comemorativa dos momentos fundamentais da construção do santuário. Entrada da escadaria dos profetas. Pedra sabão. Santuário de Congonhas (MG).

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Antônio Francisco Lisboa, Aleijadinho (1730-38 -1814). Cartela (placa) comemorativa dos momentos fundamentais da construção do santuário. Entrada da escadaria dos profetas. Pedra sabão. Santuário de Congonhas (MG).

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Antônio Francisco Lisboa, Aleijadinho (1730-38 -1814). São João da Cruz. Madeira policromada, dourada e prateada, c. 1775/79. Medidas : altura 159 cm; largura, 91 cm, profundidade, 30 cm. Retábulo : Francisco Vieira Servas. Igreja da Ordem Terceira do Carmo, Sabará (MG).

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Antônio Francisco Lisboa, Aleijadinho (1730-38 -1814). Cristo e a Samaritana. Baixo relevo do púlpito do lado da Epístola. Madeira policromada e dourada, c. 1775/79. Igreja da Ordem Terceira do Carmo, Sabará (MG).