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Projeto Aleijadinho

Os traços constantes que unem os profetas podem ser vistos primeiramente à distância, que são as vestimentas constituídas pelas túnicas (curtas ou longas), os mantos sobre os ombros, seguros ou presos por uma mão ou cintos a formarem pregas retas com desenhos barrocos estilo artístico do século XVII e parte do XVIII, período da reforma protestante, contra reforma católica e política absolutista; estilisticamente está associado às formas em movimento, dramaticidade de expressões, colorido intenso, sombras e luzes.

e de caimento pesado, ou nós a expandirem as dobras em formas triangulares. Sobre as cabeças, turbantes arrematados com bolas, barretes ou mesmo capuz, marcam as silhuetas.

A segunda constante são os filactérios rolo de pergaminho com textos sagrados; (filactera) pequena caixa contendo textos bíblicos escritos em cédulas de pergaminho; na Idade Média, fitas com inscrições dos dizeres dos personagens, em geral os santos; na Idade Moderna, textos dos dizeres dos personagens nas histórias em quadrinhos em forma de rolos abertos, contendo frases que marcam a profecia daquele profeta.

Os pés, em diversas posições – Bazin evoca um balé – estão calçados com botas alta quando visíveis, por usarem túnicas mais curtas. São ornadas com trançados dos cadarços e acabamento virado em V, mostrando a maciez do couro. Se as túnicas ou mantos encobrirem as pernas, apenas as pontas dos pés são mostrados em posições de movimento.

Nos rostos, a distinção fica por conta do grupo de imberbes, os mais jovens : Daniel, Baruc, Amós e Abdias; outro grupo aparentando idade madura que são: Oseias, Jonas, Joel, Jeremias, Habacuc e Ezequiel. As características das barbas e bigodes são semelhantes às dos personagens da Via Crucis – nas capelas construção religiosa de pequeno porte; nomenclatura eclesiástica; são também chamadas de capelas quaisquer templos que não sejam igrejas matrizes; recinto de uma igreja onde fica um altar particular abaixo do Santuário – e os são narizes retos, com olhos levemente amendoados e cegados pelas luzes.

Os gestos são em geral de segurar os rolos proféticos – filactérios – com a mão esquerda, e a ação – de escrever com pluma, repuxar o manto, indicar as escrituras, levantar os braços – ficam reservadas para a mão direita. O desprendimento do braço, libertando-se das pregas dos manto, ocorre timidamente nos profetas Amós e Jonas, para depois se expandirem em Abdias e Habacuc.

Download PDF BAZIN, Germain.
Aleijadinho e a escultura barroca no Brasil. Rio de Janeiro: Record, 1970.


OLIVEIRA, Myriam Andrade Ribeiro de.
O Aleijadinho e o santuário de Congonhas. Roteiros do Patrimônio. Brasília : Monumenta/Iphan, 2006.


TEIXEIRA, José de Monterroso.
Aleijadinho, o teatro da fé. São Paulo : Metalivros, 2007.