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Projeto Aleijadinho

Acanto — motivo decorativo, presente originalmente no capitel coríntio, que representa folha do acanto espinhoso. Simboliza o sacrifício.

Acrotério – pequeno pedestal colocado nas extremidades de um frontão para suportar uma cruz ou outros elementos ornamentais. (Fachada São Francisco de Ouro Preto).

Adamascado (tecidos) – padrão de tecido elaborado com relevos formando ornamentos em seda, originariamente vindos da cidade de Damasco, Síria.Normalmente apresentam padrões de flores, frutos, formas de vida animal e de outros tipos de ornamentos. É comum encontramos, também, a adição de ouro ou outras fibras metalizadas.

Adro — pátio, em geral fechado, à frente ou em torno das igrejas. (Profetas de Congonhas e São Francisco de Ouro Preto).

Alçado (alfaias) — peças de uso em missa: paramentos, vasos, castiçais etc.

Altares do arco de triunfo – na nave junto ao arco. (Capela do Rosário de Santa Rita Durão e São João del Rey na São Francisco).

Altares laterais – ao longo da nave. (São Francisco de Ouro Preto, São João del Rey).

Altar-mor — altar ou retábulo principal de uma igreja ou capela, posicionado na parede. ( São Francisco de Ouro Preto).

da capela-mor, onde se coloca o santo padroeiro.

Ampulheta — instrumento antigo usado para medir o tempo por meio de dois vasos de vidro com areia. Simboliza o tempo terrestre ou a vida. (No lavabo da São Francisco de Ouro Preto).

Anjo — elemento ornamental dos mais presentes em retábulos e arcos-cruzeiros. Os mais pequenos são os querubins ou serafins, os arcanjos são os maiores, como adolescentes ou adultos jovens. (Nas portadas e coroamentos dos altares de praticamente todas as igrejas que Aleijadinho fez).

Anjo tocheiro — escultura de anjo portando tocheiro ou castiçal grande para velas. (No Museu da Inconfidência em Ouro Preto).

Anjo voante — escultura de anjo em atitude ou postura de vôo. (Anjo da Agonia nos passos e com cesto de flores na abóbada da São Francisco de Ouro Preto; nos frontispícios, aos pares seguram as cartelas ou coroas como no Carmo de Sabará, Ouro Preto e São João del Rey ).

Apainelado — superfície composta de almofadas ou painéis definidos por molduras de madeira. (Para vento da Sé de Mariana).

Arcada — série de arcos contíguos; abertura em forma de arco.(na lateral da São Francisco de Ouro Preto, dispostos posteriormente).

Arco-cruzeiro — arco que separa a nave central da capela-mor, arco triunfal. (Desenho da matriz de Barão de Cocais e o da São Francisco de Ouro Preto onde foram postos os dois púlpitos em pedra sabão).

Atlante — figura de homem em escultura que sustenta coluna, pilastra, coro etc.( Coro do Carmo de Sabará e em bases de colunas como São João del Rey)

Atributo — símbolo, insígnia ou qualquer elemento que, numa escultura, pintura ou gravura, serve para identificar determinado santo. (Portadas das igrejas franciscanas e carmelitas com o escapulário ou estigmas).

Azulejo — ladrilho de louça vidrado na face aparente usado para revestimento, impermeabilização e decoração de paredes. (imitação por meio de pinturas de Ataíde na igreja franciscana de Ouro Preto; do século 19, no Carmo de Ouro Preto).

Baixa-voz – elementos esculturais acima do púlpito .(Aleijadinho não usa nem no Carmo de Sabará nem na São Francisco de Ouro Preto).

Baldaquino — arremate arquitetônico ou escultórico que resguarda um portal, altar, retábulo ou escultura. (Aleijadinho uso duplo nos coroamentos como São João del Rey).

Barroco — estilo artístico do século XVII e parte do XVIII, período da reforma protestante, contra reforma católica e política absolutista; estilisticamente está associado às formas em movimento, dramaticidade de expressões, colorido intenso, sombras e luzes.

Borla — motivo ornamental esculpido imitando tufo de franjas. (Usa nos barretes dos profetas e para finalizar os lambrequins dos altares da São Francisco de São João del Rey).

Brutesco (grotesco ou grutesco) — pintura ou escultura em que se representam animais, plantas ou seres fantásticos. (Desenhos dos tecidos dos profetas).

Camarim — parte interna do altar-mor ou retábulos onde se coloca o trono com imagem ou relíquia de um santo.

Cantaria — obra de pedra aparelhada.

Canteiro — oficial ou mestre que lavra as pedras de cantaria; escultor que realiza obras com esse tipo de material.

Capela — construção religiosa de pequeno porte; nomenclatura eclesiástica; são também chamadas de capelas quaisquer templos que não sejam igrejas matrizes; recinto de uma igreja onde fica um altar particular.

Capela-mor — capela principal, onde fica o altar-mor de uma igreja.

Cartela — superfície lisa para gravar inscrição ou ornato. (Na entrada das escadarias do adro de Congonhas).

Caveira — representa a morte, a reflexão sobre a vaidade da vida terrena.

Atributo de São Francisco de Assis. (Nos lavabos de Ouro Preto e anjos das portadas de Ouro Preto e São João del Rey).

Cimalha – arremate superior da parede de uma construção, onde se assentam os beirais do telhado e o triângulo frontão. Internamente, é chamada de cimalha real, lugar no qual costumam se iniciam as pinturas ornamentais.

Concha — objeto ou ornato de feitio análogo à concha, sendo um dos motivos decorativos predominantes na ornamentação barroca.

Consolo — peça saliente e ornada para sustentar esculturas ou apoiar cornijas e sacadas. (Os profetas estão sobre consolos com mísulas).

Coroamento — parte superior ou remate de ornamento. (Aleijadinho os fazia duplos e com raios divergentes).

Cruz de penitência — cruz de duas hastes, símbolo da ordem de São Francisco da Penitência. (Disposta no acrotério, acima do triangulo frontão como Ouro Preto e São João del Rey).

Cruz pontifical — cruz de três hastes, ou papal.

Cruzeiro — grande cruz erguida nos adros, cemitérios, largos, praças etc.; parte da igreja compreendida entre a capela-mor e a nave central.

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p style=”text-align: justify;”>Cúpula — parte superior, semi esférica, em cobertura de alguns edifícios.

Dossel — armação de madeira recoberta de talha sobre tronos.

Douramento — processo de revestimento de ouro em peças ornamentais, retábulos, imaginárias etc. (Em geral o mestre Ataíde dourava as obras de Aleijadinho, a exemplo do lavabo do Carmo de Ouro Preto).

Entablamento — parte do edifício ou retábulo acima das colunas.

Envasadura (olho de boi, óculo) — abertura ou janela circular ou elíptica decorativa destinada à passagem de ar ou luz. ( Na fachada do Carmo de Ouro Preto e em São João del Rey, na fachada e laterais da São Francisco, em Ouro Preto, Aleijadinho substituiu por um medalhão esculpido).

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Escapulário — faixa de pano que frades e freiras de certas ordens religiosas trazem pendente ao peito. (Esculpidos com a Virgem do Carmo em Sabará e Ouro Preto)

Espiral — torneado típico do século XVII, salomônico, torcido, caracol. (Colunas dos altares laterais de São Francisco de São João del Rey).

Estatuária — a arte de esculpir estátuas; diz-se também de determinado conjunto de estátuas ou da maneira própria de esculpi-las. (Conjunto dos profetas de Congonhas).

Filactério – rolo de pergaminho com textos sagrados; (filactera) pequena caixa contendo textos bíblicos escritos em cédulas de pergaminho; na Idade Média, fitas com inscrições dos dizeres dos personagens, em geral os santos; na Idade Moderna, textos dos dizeres dos personagens nas histórias em quadrinhos.

Florão — ornato em feitio de flor que aparece geralmente em teto, abóbada, volta de arco-cruzeiro ou coroamento de retábulo. (Aleijadinho utiliza com frequência abaixo das cabeças de anjinhos nas portadas ou nas cercaduras das Virgens da Conceição, Carmo e Mercês).

Frontão — espécie de empena que serve para coroar a parte central do frontispício da igreja; costuma-se falar também em frontão com relação ao remate do retábulo. (O frontão truncado de São Francisco de Ouro Preto é o mais dramático).

Frontispício — fachada principal; frontaria. (Aleijadinho desenhou vários sendo que o de São Francisco de São João del Rey conservou-se o desenho original).

Fuste — seção de coluna compreendida entre a base e o capitel. (Fazia-os com torções acima do primeiro terço como na São Francisco de Ouro Preto).

Ilusionista — pintura em que os objetos ou figuras adquirem, por efeito de perspectiva, a ilusão de ser reais ou palpáveis. (Ataíde na São Francisco de Ouro Preto).

Imaginária — arte de esculpir ou talhar imagens religiosas em madeira ou outros materiais; conjunto de imagens que constituem o acervo da espécie em determinado museu, igreja etc… (Distingue-se entre as de madeira e suas três fases e a de pedra sabão, os profetas da última fase no final da vida).

Lavabo — pequena bacia ou chafariz com uma bica localizado na sacristia ou no corredor da capela-mor. ( Igrejas do Carmo e São Francisco de Ouro Preto).

Lambrequim — ornato de recorte de madeira ou lâmina metálica para beira de telhados ou que pende em trabalho de talha recortada de baldaquins, sanefas ou dosséis de retábulos. (Aqueles dos altares laterais e do arco cruzeiro da igreja franciscana de São João del Rey são os mais elaborados).

Luneta – abertura para iluminação acima das paredes de onde nasce o teto abobadado. (Aleijadinho as utilizou na capela mor de São Francisco de Ouro Preto porém posteriormente foram feitos as arcadas nas laterais).

Madeira — a madeira foi um dos materiais de uso mais intenso e diversificado nas técnicas construtivas e obras de ornamentação. Cedro: utilizado na feitura de altares, retábulos, imaginária, castiçais, molduras, tarjas de arco-cruzeiro e mesas. Jacarandá: balaustradas, castiçais, arcazes, armários, bancos e mesas. Vinhático e ximbó: arcas. (Aleijadinho utilizou cedro para os altares e imagens dos santos incluindo a dos Passos da Paixão em Congonhas).

Mármore fingido — pintura imitando mármore usada na madeira de retábulos ou pedra de cantaria de arcos-cruzeiros, pilastras, paredes etc.

Medalhão — pintura ou escultura com forma de grande medalha, circular. ( Os mais famosos de Aleijadinho são das igrejas de São Francisco, Carmo, Mercês de Ouro Preto; Carmo e São Francisco de São João del Rey).

Mísula (peanha) — peça saliente destinada a sustentar arco ou escultura 9os profetas estão sobre consolos misulados).

Modenatura – conjunto de molduras de uma construção ou parte da mesma.

Nave (nave central) — parte interna da igreja desde a entrada até a capela-mor; denomina-se nave central quando esse espaço é subdividido por pilares, colunas ou arcos.

Nicho — cavidade ou vão em parede, muro, retábulo, arco-cruzeiro etc. para colocação de objetos ou imagens ornamentais. (Fachadas das igrejas de São Miguel e Almas em Ouro Preto e matriz de Barão de Cocais).

Panejamento — diz-se da roupagem de figuras pintadas ou esculpidas com relação às dobras ou ondulações das vestes. (Nos profetas são compostos pelas túnicas longas ou curtas e os mantos que formam a volumetria em todas as faces).

Para-vento — anteparo de madeira que se coloca geralmente atrás da porta principal de uma igreja, entre o vestíbulo e a nave central, para resguardo do vento. (Elaborado para a Sé de Mariana).

Partido — organização geral de uma edificação, forma de distribuição e articulação dos espaços, de modo que se pode identificar um estilo. (Aleijadinho utilizou o partido curvelíneo em especial na igreja franciscana de São João Del Rey).

Passo — pequena capela que abriga esculturas ou pinturas representando cenas da Paixão de Cristo (Capelas dos Passos da Paixão em Congonhas com as 64 esculturas)

Pelicano — ave aquática palmípede que, segundo a lenda, abre o próprio peito para dar as entranhas como alimento aos filhotes. Símbolo da Eucaristia.

Policromia — trabalho de revestimento com pintura ou douramento de talha, imagens etc.com duas ou mais cores. ( Mestre Ataíde aplicava a policromia nos altares e esculturas em madeira de Aleijadinho).

Portada — grande porta enquadrada por composição ornamental. (Estas composições fazem de Aleijadinho o grande mestre em especial nas igrejas franciscanas de Ouro Preto, São João del Rey; as carmelitas em Sabará, Ouro Preto e São João del Rey além daquela de Congonhas).

Portal — porta principal ou conjun
to de portas principais de uma igreja ou outro edifício, geralmente artisticamente trabalhadas; frontispício ou fachada, onde fica a porta principal.

Presbitério — parte elevada da capela-mor de uma igreja.

Púlpito — tribuna destinada nas igrejas às pregações ou sermões do sacerdote; as igrejas mineiras possuem geralmente dois púlpitos — o do lado do Evangelho (à esquerda de quem entra na igreja) e o da Epístola (à direita). ( Os mais importantes de Aleijadinho são os dois em pedra sabão na igreja franciscana de Ouro Preto e em madeira em Sabará, na igreja carmelita).

Quartelão (quartela, peanha) — peça que em estrutura ornamental serve de sustentação a outra.

Relicário — objeto destinado à guarda de relíquias em forma de busto ou outras. ( Executou um conjunto para o santuário de Congonhas).

Resplendor — círculo ou auréola com raios de metal que se põe na cabeça das imagens de santos ou em crucifixos, custódias etc.(Aleijadinho utilizava também nos coroamentos dos retábulos).

Retábulo — estrutura ornamental de pedra ou talha de madeira que se eleva na parte posterior do altar; genericamente obedece à seguinte classificação: jesuítico ou maneirista (início do século XVII); nacional português (1680-1720); joanino (1720-1760); rococó (1760-1816); e neoclássico. (século XIX) (Seu mais importante retábulo mor está na igreja de São Francisco de Ouro Preto; desenhos os de São João del Rey e do Carmo de Sabará).

Rocaille (Rocalha) — elemento ornamental concheado, introduzido na ornamentação de portadas, arcos-cruzeiros, retábulos, painéis de pintura, molduras, etc.(Aleijadinho as utilizava para integrar os diversos elementos das esculturas).

Risco — desenho, prospecto ou plano de uma construção delineada, às vezes, nas próprias paredes das obras em construção, a exemplo da fachada da Igreja de São Francisco em Ouro Preto.

Rococó — estilo ornamental surgido na França durante o reinado de Luís XV (1710-1774) e caracterizado pelo uso de curvas caprichosas e formas assimétricas e pela delicadeza dos elementos decorativos, como conchas estilizadas (rocailles), laços, flores, folhagens, que tendiam a uma elegância requintada; no Brasil perdura até o neoclassicismo (1816).

Sacrário — caixa ou vão com porta, quase sempre ao centro do altar, onde se guardam as hóstias ( Aleijadinho os executou para os retábulos mores e nos laterais, apenas as portinholas pois são sacrários apenas compositivos).

Salomônica — diz-se da coluna torsa ou lavrada em espiral.

Sanefa (baldaquim) — faixa que cobre a verga de um vão ou a parte superior de um cortinado.

Talha — trabalho ornamental em alto ou baixo-relevo feito geralmente na madeira por artífice. (Dentre seus relevos em madeira mais importantes estão os conjuntos da Santíssima Trindade de Ouro Preto, na igreja franciscana e matriz de Nova Lima).

Tarja — peça de pintura, escultura ou talha com ornamentos onde se vê um escudo ou inscrição. (Esculpiu as tarjas ou escudos franciscanos e carmelitas).

Tintas — o processo de pintura nas construções religiosas e civis do período colonial valia-se geralmente de materiais locais. Para a pintura de peças de madeira, portas, entre outros, à resina corante eram adicionados óleo de linhaça ou mamona e cola de couro. Os corantes tinham, comumente, origem vegetal, predominando, conforme as tonalidades pretendidas, o anil, o açafrão, a cochonilha, o ipê-mulato, o urucum etc….(Foram utilizadas por mestre Ataíde para as esculturas dos Passos da Paixão).

Tombamento — assegura a preservação de bens culturais, imóveis e móveis que constituem a chamada memória nacional. São inscritos em um ou mais dos quatro Livros do Tombo, a saber: Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico, referente às “coisas pertencentes às categorias da arte arqueológica”; Livro do Tombo Histórico, referente “às coisas de interesse histórico e às obras de arte históricas”; Livro do Tombo das Belas Artes, referente às “coisas de arte erudita nacional ou estrangeira”; Livro do Tombo das Artes Aplicadas, referente às “obras que se incluíram na categoria das artes estrangeiras”. (Praticamente todas as obras de arquitetura, escultura retabular e em pedra sabão de Aleijadinho são tombadas e aclamadas como Patrimônio da Humanidade aquelas de Ouro Preto e o conjunto de Congonhas, 1985).

Torêutica — arte de cinzelar e esculpir em metal, madeira ou marfim.