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Projeto AleijadinhoHá vários níveis de leituras de uma obra de arte ou mesmo de um conjunto como este dos profetas de Aleijadinho em Congonhas. O primeiro é o iconográfico, ou seja, o conhecimento através de leituras como o histórico do conjunto e seus referenciais em Portugal e no mundo. A isto se acresce o conhecimento de cada um dos profetas e de como Aleijadinho os esculpiu segundo referenciais de artistas anteriores, colocando cada qual com um tipo de turbante diferente, ou ainda a maneira formal de colocar as palavras proféticas.

Outro nível é aquele no qual o crítico de arte nos aproxima das obras, realizando leituras formais de como os gestos, como os tecidos se mostram mais presos ou livres das massas escultóricas e a maneira de posicionarem os pés e as faces, ora olhando para o fiel, ora com os olhos ofuscados pelas visões contidas em suas palavras. A estas leituras chamamos de iconográficas, de como através dos tempos a arte formulou a maneira de cada um dos profetas ou santo ou mesmo deuses da mitologia serem reconhecíveis.

Pode-se ainda buscar outra leitura mais profunda que é a iconológica, ou seja, qual a intenção do artista ao fazer aquela obra. No período barroco estilo artístico do século XVII e parte do XVIII, período da reforma protestante, contra reforma católica e política absolutista; estilisticamente está associado às formas em movimento, dramaticidade de expressões, colorido intenso, sombras e luzes. era necessário seguir as normas iconográficas para que as figuras fossem veneradas ou reconhecidas por todos. Porém o artista pode colocar parte de suas intenções na obra, que será estudada em tempos posteriores. Neste caso, a pesquisadora Isolde Helena Brans Venturelli escreveu Profetas ou conjurados, estudo em que aproximou as esculturas dos profetas às dos inconfidentes mineiros. Assim a autora atualiza a obra de Aleijadinho ao inserir a aproximação da arte com os fatos históricos ocorridos naquele tempo da mineração, deslocando-os portanto do mundo antigo para aquela atualidade. A leitura é pertinente, pois cada obra de arte tem sua atualização e por isto mesmo a arte é tão intrigante.

A autora assim relaciona os profetas com os Inconfidentes, atribuindo a cada qual uma característica ou indício a nos levar para tal interpretação.

Jonas – Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes.

Jeremias – Francisco de Paula Freire Andrade.

Abdias – José Álvares Maciel.

Habacuc – Domingos Vidal Barbosa.

Naum – Francisco Antônio de Oliveira Lopes.

Ezequiel – Luis Vaz de Toledo Piza.

Baruc – Salvador Carvalho do Amaral Gurgel.

Daniel – Tomás de Antônio Gonzaga.

Oseias – Inácio José de Alvarenga.

Joel – Cláudio Manuel da Costa.

Isaias – o embuçado

Amós – Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

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 VENTURELLI, Isolde Helena Brans.

Profetas ou conjurados. Sousa, Autora, 1982.