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Projeto Aleijadinho

A leitura, que ainda deve ser feita um tanto distanciada, não revela os detalhes faciais onde o artista concentrou-se com toda a competência de sua maturidade. Este diferencial torna-se comum a todos, conferindo uma unidade de busca expressiva – e não uma virtuosidade estilística que configuraria traços de plasticidade estereotipada. O mesmo vale também para o posicionamento dos pés quando vistos como elemento agregador e ao mesmo tempo de distinção. O passo de avanço de cada um é contido ora pelo peso das dobras das vestes, ora pelas curvas dos filactérios rolo de pergaminho com textos sagrados; (filactera) pequena caixa contendo textos bíblicos escritos em cédulas de pergaminho; na Idade Média, fitas com inscrições dos dizeres dos personagens, em geral os santos; na Idade Moderna, textos dos dizeres dos personagens nas histórias em quadrinhos que nos indicam um novo caminho a percorrer pelas palavras esculpidas.  Lidas as palavras de advertência contidas nas profecias, a mão esquerda segura firmemente o rolo que fecha este discurso espiritual – a permanência da palavra escrita – para indicar um novo papel do profeta que é o da pregação. Para isso o artista se vale da gestualidade da mão direita, que se mostra ainda contida nos profetas centrais mas expande-se nos profetas das extremidades.

Download PDF BAZIN, Germain. Aleijadinho e a escultura barroca no Brasil. Rio de Janeiro: Record, 1970.


OLIVEIRA, Myriam Andrade Ribeiro de. O Aleijadinho e o santuário de Congonhas. Roteiros do Patrimônio. Brasília : Monumenta/Iphan, 2006.


TEIXEIRA, José de Monterroso. Aleijadinho, o teatro da fé. São Paulo : Metalivros, 2007.