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n21No chamado Interior do período colonial, parte da atual Região Sudeste, está Minas Gerais, que pertencia à Capitania-Geral de São Paulo, da qual foi desmembrada em 1720.

O ciclo da mineração durou toda a primeira metade do século XVIII, quando a coroa explorou ouro e diamante coincidente com o reinado de D. João V, o Magnânimo. A região conheceu prosperidade imediata, e o Brasil, depois de dois séculos, se voltava para o então Interior. A fundação das vilas teve ritmo acelerado assim como o populacional. O rigor das leis não foram suficientes para conter as lutas entre bandeirantes paulistas e novos exploradores denominados emboabas, que expulsaram aqueles para Goiás e Mato Grosso (atual Região Centro-Oeste), quando os paulistas descobriram novas minas de ouro e onde ficaram até 1744.

Mesmo com um século de atraso em relação à Europa, a construção barroca mineira surpreende. A continuidade da tradição portuguesa da talha trabalho ornamental em alto ou baixo-relevo feito geralmente na madeira por artífice. (Dentre seus relevos em madeira mais importantes estão os conjuntos da Santíssima Trindade de Ouro Preto, na igreja franciscana e matriz de Nova Lima). do Norte de Portugal, vista nas mais antigas igrejas em estilo barroco estilo artístico do século XVII e parte do XVIII, período da reforma protestante, contra reforma católica e política absolutista; estilisticamente está associado às formas em movimento, dramaticidade de expressões, colorido intenso, sombras e luzes. , permite aclamar as obras como verdadeiras “cavernas de ouro”. Em um segundo momento, os artífices locais em região tão isolada impuseram soluções originais para as igrejas rococós estilo ornamental surgido na França durante o reinado de Luís XV (1710-1774) e caracterizado pelo uso de curvas caprichosas e formas assimétricas e pela delicadeza dos elementos decorativos, como conchas estilizadas (rocailles), laços, flores, folhagens, que tendiam a uma elegância requintada; no Brasil perdura até o neoclassicismo (1816) de inegável valor artístico, resultando o que se convencionou chamar de barroco mineiro.

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