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 Projeto Aleijadinho

A função do santuário, que remonta à antiguidade, tem sido confirmar um milagre ou revelação divina, como as aparições em forma de imagens ou visões, advertindo os crentes que para lá acorrerão em datas específicas. Em geral este local está em uma montanha pois na maioria das religiões sua altura simboliza a subida ao mundo dos deuses como o monte Olimpo para os gregos, o Fuji para os japoneses e o Sinai para os judeus onde Moisés recebeu as tábuas das leis e o Calvário para os cristãos onde Cristo foi crucificado.

Para acolher os romeiros, o santuário desenvolve uma estrutura urbanística própria, nos moldes daquelas do norte de Portugal, Minho ou Douro: ao redor da igreja, que se projeta sobre um morro ou pedra com acesso por escadarias, surgem as capelas com via-crúcis ou alusivas à iconografia do santo padroeiro. Nessas cidades, geralmente de topografia acidentada, os escadatórios (amplas escadarias), em frente aos edifícios, são frequentes, colocando em destaque o templo religioso, remetendo ao sacrifício de subir a montanha sagrada, tal como no Santuário da Penha de Vila Velha (1568), construído segundo o risco de frei Sebastião do Espírito Santo. A paisagem alivia o corpo, e a alma se sente leve nas alturas. A perfeita escolha dos patamares inacessíveis, como os mosteiros dos montes Athos na Grécia, aponta para a solidão desejada dos freis, revelando o grau de amor à natureza como a mais bela criação de Deus segundo São Francisco de Assis. O santuário com os Passos da Paixão lembra o local onde Cristo teve o sofrimento da morte em Jerusalém. Como a cidade sagrada foi conquistada pelos muçulmanos e as peregrinações para lá proibidas, difundiu-se o costume de se criar sacros montes.

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BAZIN, Germain.
Aleijadinho et la sculpture baroque au Brésil. Paris : Éditions du Temps, 1963.


BAZIN, Germain.
Aleijadinho e a escultura barroca no Brasil. Rio de Janeiro : Ed. Record, 1972.


BRETAS, Rodrigo José Ferreira.
Traços biographicos relativos ao finado Antonio Francisco Lisboa, distincto escultor mineiro, mais conhecido pelo appellido de Aleijadinho. in Correio Official de Minas, n. 169 e 170, Ouro Preto, 19 e 23 de agosto de 1858. Republicado em Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, n. 15. Rio de Janeiro : MES, 1951, p. 23-35.


OLIVEIRA, Myriam Andrade Ribeiro de. e outros.
O Aleijadinho e a sua oficina Catálogo das esculturas devocionais. São Paulo : Editora Capivra, 2002.


TEIXEIRA, José de Monterroso.
Aleijadinho, o teatro da fé. São Paulo : Metalivros, 2007.

 

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