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Projeto Aleijadinho

Profeta é aquele que fala em nome de, na frente de ou de antemão. São homens inspirados e enviados por Deus a proclamar sua mensagem e vontade.

A tradição judaica e bíblica registra tanto os profetas como sua profecias ou oráculos e histórias em dois blocos: os profetas anteriores e posteriores; aqueles com escritos e aqueles sem escritos ou ainda em maiores ou grandes e menores.

Os maiores ou grandes representados por Aleijadinho: Isaias, Jeremias, Ezequiel e Daniel.

Os menores representados por Aleijadinho: Oseias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Naum, Habacuc e Baruc.

Há tantos outros profetas tanto do Antigo como do Novo Testamento sendo considerado deste último, João Batista, Zacarias, Ana (profetisa) e o próprio Cristo. Vistos deste ponto de vista eles são as pré-figuras dos Apóstolos. Também depois da ressurreição de Cristo, os profetas são aqueles que interpretam a vontade de Deus e exortam os fiéis à edificação de uma comunidade frente aos falsos profetas ou seja, aqueles que falam no próprio nome.

Praticamente todas as religiões têm os seus profetas.

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Os profetas apareceram na iconografia medieval nos portais e nos vitrais das catedrais. Em Chartres na França, os profetas maiores Isaias, Jeremias, Ezequiel e Daniel são representados carregando nas costas os quatro evangelistas do Novo Testamento – João, Marcos, Lucas e Mateus. Toda a arte medieval faz a união entre os dois períodos – Antigo e Novo Testamento – na qual os personagens vivem em eterna união. Na catedral de Notre Dame de Paris, os antigos reis das tribos judaicas misturam-se com profetas, evangelistas e cenas da vinda do Messias.

Em termos de números, os quatro grandes profetas correspondem aos quatro evangelistas. Os 12 profetas menores correspondem aos doze apóstolos. Esta união de Antigo com Novo Testamento está na iconografia do santuário. Inicia-se a leitura pelo mais próximo, o seja o Novo Testamento com os doze apóstolos na  Capela Construção religiosa de pequeno porte; nomenclatura eclesiástica; são também chamadas de capelas quaisquer templos que não sejam igrejas matrizes; recinto de uma igreja onde fica um altar particular   da Sagrada Ceia. Quando estão os profetas em número de 16, corresponde à soma dos 12 apóstolos com os 4 evangaelistas.

A posição dos profetas nas escadarias do santuário corresponde à entrada deles na Vulgata, Bíblia estabelecida por são Jerônimo : Baruch, Oseias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Naum e Habacuc.

A posição dos quatro maiores – Isaias e Jeremias no portão de entrada e Ezequiel é intermediário e Daniel no alto do adro Pátio, em geral fechado, à frente ou em torno das igrejas. (Profetas de Congonhas e São Francisco de Ouro Preto) mais próximo à porta.

Há uma inserção de Baruc em substituição a Miquéias, não se sabe ao certo o motivo. Porém, como secretário de Ezequiel, ficaram os dois no mesmo plano.

A inserção dos profetas menores é em linha de zigue-zague e todos no mesmo plano: Oseias para Joel, no lado oposto Amós para Abdias, a linha segue para o fundo com Jonas que cruza toda escadaria correspondendo a Naum e terminando cmo Habacuc. De outra maneira pode-se agrupar por proximidade: Oseias com Joel; Amós com Abdias; Naum com Habacuc. As duas grandes diagonais que cruzam as escadarias: Joel com Amós e Jonas com Naum.

A iconografia geral do Sacro Monte apresenta os  passo Pequena capela que abriga esculturas ou pinturas representando cenas da Paixão de Cristo (Capelas dos Passos da Paixão em Congonhas com as 64 esculturas) da paixão, a morte e ressurreição. Em Congonhas os passos ficam abaixo, os profetas ao centro e a paixão acima, dentro da igreja no dos retábulo Estrutura ornamental de pedra ou talha de madeira que se eleva na parte posterior do altar; genericamente obedece à seguinte classificação: jesuítico ou maneirista (início do século XVII); nacional português (1680-1720); joanino (1720-1760); rococó (1760-1816); e neoclássico. (século XIX) (Seu mais importante retábulo mor está na igreja de São Francisco de Ouro Preto; desenhos os de São João del Rey e do Carmo de Sabará) -mor. Porém ao entrar por debaixo do coro, inicia-se com figuras do Antigo Testamento que são os membros da família sagrada – os da árvore de Jessé – continua com cenas da Virgem Maria, anunciação, nascimento de Cristo e seus milagres durante a vida como profeta o Messias prometido que foi anunciado pelos profetas do Antigo Testamento.

As cenas da Paixão bem como da Natividade, durante a Idade Média foram encenadas tanto dentro dos templos como nas praças públicas. Os profetas sempre foram evocados com suas escrituras anunciando a vinda do Salvador. Se na parte inferior nos passos da paixão temos a teatralização por meio de 66 figuras esculpidas em cedro, como se fazia nas semanas santas medievais, os profetas também são evocados para esta teatralização no que diz respeito ao Advento, ou Natal. Portanto são duas teatralizações realizadas por Aleijadinho e complementadas, enquanto iconografia pictórica, por todos os outros artistas com cenas da vida da Virgem e o Menino.

As roupagens exóticas à maneira turca foram explicadas por Robert Smith e Germain Bazin. Os turbantes são daqueles povos temidos do Médio Oriente e são os mais próximos da Europa, aguçando a fantasia dos artistas enquanto as roupas e vestimentas adamascadas. Os modelos foram difundidos pelas publicações do gravadores flamengos e se espalharam pela Europa e Américas. Naquele período do estilo  barroco Estrutura ornamental de pedra ou talha de madeira que se eleva na parte posterior do altar; genericamente obedece à seguinte classificação: jesuítico ou maneirista (início do século XVII); nacional português (1680-1720); joanino (1720-1760); rococó (1760-1816); e neoclássico. (século XIX) (Seu mais importante retábulo mor está na igreja de São Francisco de Ouro Preto; desenhos os de São João del Rey e do Carmo de Sabará) , era comum até, e isto comprova-se pelas pinturas de Rembrandt, que se pintava muito os antigos patriarcas, profetas e quando não vestia-se pessoas contemporâneas com ricos turbantes e roupas extravagantes para compores as pinturas. Em Portugal a influência também pode ser sentida pelo amplo comércio e trocas com os Países Baixos onde a adoção dos modelos flamengos pela corte de Dom Manuel I foi intensa. Estes personagens do mundo antigo entraram nas figuras do presépio com os reis Magos, oriundos do Oriente distante e antigo, e acreditaram nas vozes que anunciavam a chegada do Messias. Bazin pesquisou as roupas de cada um dos profetas o que se verá adiante.

 

Sibilas – são mulheres que tem o dom da profecia. São míticas, provenientes da Ásia Menor e passam para as culturas gregas e romanas. A Pitonisa, era sacerdotisa do templo de Apolo em Delfos que previa o futuro. Na Antiguidade eram reconhecidas dez sibilas. Posteriormente a Igreja conjuga suas profecias com a vinda de Cristo. Para Santo Agostinho elas pertenciam ao paganismo porém seus oráculos tinham função similar dos profetas do Antigo Testamento que decifravam a anunciação e vinda de Cristo na terra. Teriam precedido aos pagãos a vinda do Messias junto aos judeus.

No mundo medieval foram representadas como sendo mensageiras da vinda de Cristo no mundo pagão. Foram representadas no piso da catedral de Siena e ainda no Renascimento, na capela Sistina de Michelangelo.

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BAZIN, Germain
Aleijadinho e a Escultura. Rio de Janeiro : Record, 1971.


 

CHEVALIER, Heab e GHEERBRANT, Alain.
Dicionário de Simbolos. Rio de Janeiro : Ed. José Olympio, 1990.


 

JENNI, E. e C. WESTERMANN.
Diccionario Teológico Manual del Antiguo Testamento. Madrid : Ed. Cristandad, 1978.


 

OLIVEIRA, Myriam Andrade Ribeiro.
Aleijadinho : Passos e Profetas. Belo Horizonte: Editoras Itatiaia/EDUSP,1984.


 

SANCHÉZ, Tomás Parra. Dicionário da Bíblia.
Aparecida : Editora Santuário, 1997.


 

TEIXEIRA, José de Monterroso.
Aleijadinho, o teatro da fé. São Paulo : Metalivros, 2007.