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Projeto Aleijadinho

Muito se fala do movimento cênico e disposição dos profetas de Aleijadinho no adro de Congonhas. Na Idade Média, eram dispostos em geral nos portais das catedrais neorromânicas e posteriormente góticas. Estavam sentados ou de pé ao lado dos reis de Israel, gesticulando com os rolos das sagradas escrituras e apontando os dedos para os fiéis crerem em suas profecias. No Renascimento foram pintados nos afrescos da Capela construção religiosa de pequeno porte; nomenclatura eclesiástica; são também chamadas de capelas quaisquer templos que não sejam igrejas matrizes; recinto de uma igreja onde fica um altar particular Sistina (1508 – 1512), no Vaticano, obra de Michelangelo. Estão os profetas sentados, em posições de escrever, de refletir e mesmo de exortar o povo a crer na vinda do Messias. No período do barroco estilo artístico do século XVII e parte do XVIII, período da reforma protestante, contra reforma católica e política absolutista; estilisticamente está associado às formas em movimento, dramaticidade de expressões, colorido intenso, sombras e luzes. no século XVII e no XVIII do mundo ibérico, estão nas pinturas onde várias cenas se desenrolam a seus arredores conforme os fatos míticos que protagonizaram.

Aleijadinho se inspirou no escadório do Bom Jesus do Monte em Braga, Portugal, para fazer a colocação dos profetas, que se comportam como arautos da vinda de Cristo ao se posicionarem nos patamares onde os peregrinos descansam do sacrifício da subida até o sacro monte. Estão as esculturas dispostas ou por hierarquia, profetas maiores e profetas menores, ou pelas profecias que se aproximam, e por fim por motivos plásticos segundo os gestos de cada um deles.

A inovação de Aleijadinho se dá pela colocação de um sentido de movimento na plasticidade do adro pátio, em geral fechado, à frente ou em torno das igrejas. (Profetas de Congonhas e São Francisco de Ouro Preto), que Robert Smith e Germain Bazin apontam como uma estrutura que vai além das massas escultóricas, chegando a crer em um espaço cênico onde se desenvolve um verdadeiro balé entre eles. Assim se explicaria a licença poética de Aleijadinho que antes de ser um cristão, é um artista e arrisca na liberdade de um sentido mais profundo do que aquele apenas da representação. Portanto cada qual é disposto em conformação com o outro profeta, criando tensão espacial entre os mesmos pelos gestos, pelo posicionamento dos pés e movimento das cabeças. Outros críticos aproximam a dança como forma barroca expressiva daquela sociedade, e portanto também aceita por Aleijadinho.

Neste caso de Congonhas é muito importante interligar os gestos com os textos nos rolos sagrados que os profetas seguram com as mãos esquerdas, os filactérios. Além da leitura já proposta na qual o espectador se desloca frontalmente, lateralmente e na parte posterior circundando a obra, pode-se aprofundar a observação com as visões horizontal, vertical e sagital levando o crítico a compreender a obra na amplitude, no comprimento e na profundidade de cada profeta. Assim as esculturas iriam se retrair ou aproximar do espectador segundo os conceitos da espacialidade que cada um tem na sua cultura – ou seja, de aproximação e expansão dos corpos e aqui com os profetas os pontos de cada um contidos para o centro, lado, direita ou esquerda. Portanto cada profeta é potencialmente um ponto a ser expandido a partir dos movimentos gestuais e do conteúdo de suas palavras escritas em seus filactérios. Assim cada figura tem seu peso, espaço e sugestão de tempo contidos naqueles movimentos congelados. Estas teorias foram desenvolvidas a partir do método de Rudolf Laban e se encontram no livro Profetas em movimento de Soraia Maria Silva.

Download PDF BAZIN, Germain
Aleijadinho e a Escultura. Rio de Janeiro : Record, 1971.

 


 

COSTA, Lucio.
Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. in: O universo mágico do barroco brasileiro. Emanuel Araujo (org). São Paulo : SESI,1998.


 

OLIVEIRA, Myriam Andrade Ribeiro.
Aleijadinho : Passos e Profetas. Belo Horizonte: Editoras Itatiaia/EDUSP,1984.


 

MACHADO, Lourival G.
Barroco Mineiro. São Paulo : Perspectiva, 1973.


 

TAVEIRO, Celso.
O Aleijadinho em Congonhas: as hipóteses de Germain Bazin. in Barroco. Ouro Preto : UFMG, nº 13, 1985.


 

SILVA, Soraia Maria.
Profetas em movimento. São Paulo : Edusp/Imprensa Oficial, 2001.


 

SMITH, Robert.
Congonhas do Campo. Rio de Janeiro : AGIR, 1973,

 

Dicionários

CHEVALIER, Heab e GHEERBRANT, Alain.
Dicionário de Simbolos. Rio de Janeiro : Ed. José Olympio, 1990.


 

JENNI, E. e C. WESTERMANN.
Diccionario Teológico Manual del Antiguo Testamento. Madrid : Ed. Cristandad, 1978.


 

SANCHÉZ, Tomás Parra. Dicionário da Bíblia.
Aparecida : Editora Santuário, 1997.

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