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O conjunto dos profetas de Congonhas, no Santuário Bom Jesus de Matosinhos, em Minas Gerais, é coeso por diversos fatores. Primeiro, histórico : são homens que antecederam por meio de mensagens, a vinda de Cristo ao mundo e suas palavras estão escritas nas Sagradas Escrituras, compiladas como Antigo Testamento. A lembrança daqueles homens está na palavra escrita e a imagem a ser evocada é de distanciamento no tempo, segundo conceitos de cada período da História. A formação imagética de um profeta tem como fundamento sua missão de exortar o povo judeu a esperar pelo Messias. Para isto faz peregrinação – o andar a pé – e suas exortações ou  pregações ( os escritos são posteriores), com mensagens metafóricas nem sempre compreendidas em seu tempo. A escrita é factual, prova da existência de cada profeta e dupla crença:  na corporalidade, concreta, e  na profecia, abstrata.

Destes elementos nascem os atributos símbolo, insígnia ou qualquer elemento que, numa escultura, pintura ou gravura, serve para identificar determinado santo. (Portadas das igrejas franciscanas e carmelitas com o escapulário ou estigmas) : os filactérios ( faixas ou pergaminhos com escritos bíblicos, de origem medieval), com as escrituras e as penas de escritores nas mãos; os passos do pregador; as túnicas e mantos de homens místicos; a gestualidade expressa nos braços ao fazer a prédica.

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Em diversos períodos históricos deverão eles ser lembrados como seres além de seus tempos, míticos e devotados a uma missão:  jamais verão cumpridos seus ditos proféticos. Para a lembrança dos profetas não ser confundida com os chamados falsos profetas, recorreu-se a representá-los sempre em grupo, o mesmo ocorrendo com os quatro evangelistas e seus atributos símbolo, insígnia ou qualquer elemento que, numa escultura, pintura ou gravura, serve para identificar determinado santo. (Portadas das igrejas franciscanas e carmelitas com o escapulário ou estigmas) – leão, anjo elemento ornamental dos mais presentes em retábulos e arcos-cruzeiros. Os mais pequenos são os querubins ou serafins, os arcanjos são os maiores, como adolescentes ou adultos jovens. (Nas portadas e coroamentos dos altares de praticamente todas as igrejas que Aleijadinho fez), touro e águia. Foram divididos grupos de importância: profetas maiores e profetas menores, segundo suas profecias e escritos.. Tantos outros homens bíblicos poderiam ser chamados de profetas como Moisés, porém dentro do plano divino, há outros fatos que os distinguiram como aquele que mostrou o caminho ao povo judeu no deserto mesclando provas da existência divina como as tábuas das leis, a passagem pelo mar Vermelho. Outros foram reis, como Davi e São João Batista, o precursor, primo de Cristo, chamado de A voz que clama no deserto ( ou seja, nem todos entenderão sua mensagem e missão). E também  aqueles que sequer pertenceram ao mundo religioso judaico, mas cujas palavras, ao longo do período histórico, foram interpretadas como predizendo a vinda do Messias. Foram eles incorporados ao mundo cristão, constituindo assim um acréscimo à formação de imagens como as das sibilas, profetisas míticas pintadas por Michelangelo nos afrescos da Capela construção religiosa de pequeno porte; nomenclatura eclesiástica; são também chamadas de capelas quaisquer templos que não sejam igrejas matrizes; recinto de uma igreja onde fica um altar particular Sistina no Vaticano.

Download PDF BAZIN, Germain
Aleijadinho e a Escultura. Rio de Janeiro : Record, 1971.


 

CHEVALIER, Heab e GHEERBRANT, Alain.
Dicionário de Simbolos. Rio de Janeiro : Ed. José Olympio, 1990.


 

JENNI, E. e C. WESTERMANN.
Diccionario Teológico Manual del Antiguo Testamento. Madrid : Ed. Cristandad, 1978.


 

OLIVEIRA, Myriam Andrade Ribeiro.
Aleijadinho : Passos e Profetas. Belo Horizonte: Editoras Itatiaia/EDUSP,1984.


 

SANCHÉZ, Tomás Parra. Dicionário da Bíblia.
Aparecida : Editora Santuário, 1997.


 

TEIXEIRA, José de Monterroso.
Aleijadinho, o teatro da fé. São Paulo : Metalivros, 2007.